Dr. Caio Yano

Neuroma de Morton: a dor entre os dedos do pé que queima e formiga

Por Dr. Caio Yano 3 min de leitura Revisado em 12 de março de 2026
Neuroma de Morton — Dr. Caio Yano

Uma sensação de caminhar sobre uma pedra que não existe. Queimação, formigamento ou dormência entre os dedos do pé, especialmente ao usar sapatos fechados. Melhora ao tirar o calçado e massagear o pé. Esse conjunto de sintomas é o retrato clínico do neuroma de Morton — uma das causas mais subdiagnosticadas de dor no antepé.

O que é (e o que não é)

Apesar do nome, o neuroma de Morton não é um tumor. É uma fibrose perineural — espessamento e degeneração do tecido ao redor do nervo digital comum, mais frequentemente no terceiro espaço intermetatarsal (entre o terceiro e quarto dedos). O nervo, comprimido e irritado de forma crônica, desenvolve alterações estruturais que geram dor, parestesia e, em casos avançados, hipoestesia permanente.

A compressão crônica tem causas variadas: uso frequente de calçados com biqueira estreita ou salto alto, pé plano, antepé largo, atividades de impacto repetitivo.

Diagnóstico

O diagnóstico é essencialmente clínico. O sinal de Mulder — dor e clique palpável ao comprimir lateralmente o antepé enquanto se pressiona o espaço intermetatarsal — tem boa sensibilidade. A ultrassonografia confirma o neuroma e permite medir seu tamanho — informação relevante para a decisão terapêutica. Neuromas maiores que 5 mm tendem a responder menos ao tratamento conservador isolado.

A ressonância magnética é reservada para casos duvidosos ou quando há suspeita de patologia óssea associada.

Tratamento

Medidas conservadoras

A primeira linha inclui:

  • Modificação do calçado — biqueira larga, salto baixo, sola semi-rígida; reduz a compressão do nervo
  • Palmilha metatarsal — almofada posicionada atrás das cabeças metatarsais que redistribui a carga e abre o espaço interdigital

Estudos mostram que até 30 a 50% dos pacientes respondem satisfatoriamente apenas com essas medidas — especialmente em neuromas menores e sintomas de início recente.

Infiltração guiada por ultrassom

É o procedimento de referência no tratamento do neuroma de Morton quando as medidas conservadoras são insuficientes. A injeção de corticosteroide + anestésico local guiada por ultrassom permite depositar o medicamento exatamente no espaço perineural, com precisão que não é possível na técnica às cegas.

Uma revisão sistemática publicada no Journal of Foot and Ankle Surgery demonstrou taxas de sucesso de 70 a 85% com infiltração ecoguiada, superiores às obtidas com infiltração às cegas. Um ciclo de 1 a 3 infiltrações, com intervalo de 2 a 4 semanas, é o protocolo habitual.

A injeção de álcool diluído (esclerose química) guiada por ultrassom é uma alternativa com boa evidência — promove degeneração progressiva do tecido neural anômalo, com taxas de sucesso comparáveis à cirurgia em estudos prospectivos.

Cirurgia

Indicada nos casos refratários ao tratamento conservador. As técnicas mais usadas são a neurectomia (remoção do nervo) e a liberação do ligamento intermetatarsal transverso. A taxa de sucesso cirúrgico é alta, mas há risco de neuroma de coto (dor no nervo residual) — motivo pelo qual a abordagem conservadora e os procedimentos guiados por imagem devem ser tentados antes.

Um detalhe importante

O neuroma de Morton pode coexistir com outras causas de metatarsalgia — bursite intermetatarsal, artrite metatarsofalangiana, fratura por estresse do metatarso. A ultrassonografia, além de confirmar o neuroma, permite identificar essas condições associadas e orientar o tratamento de forma mais precisa.

Atendimento em São Paulo

Dr. Caio Yano atende pacientes com dor musculoesquelética presencialmente em São Paulo, no bairro do Ipiranga. Consultas online estão disponíveis para todo o Brasil. O agendamento é feito diretamente pelo WhatsApp.

Tags: neuroma de Morton dor no pé metatarsalgia ortopedia infiltração

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